Cria do Zilah Spósito, na zona norte de BH, apresenta seu EP “Cria Nunca Morre”, uma obra sobre identidade, ancestralidade e as histórias que permanecem vivas nas periferias.
Quem frequenta as batalhas de BH provavelmente já ouviu um dos gritos mais marcantes da cena underground nos últimos anos: “Se você é bandido, eu sou o Faraó! Liberdade pro Tumbalumrá!”. A frase, que ecoa nas rodas de freestyle da cidade, carrega a força de uma trajetória construída por Guima do Zilah, rapper, pai solo e cria da comunidade Zilah Spósito, na zona norte da capital mineira.
Há mais de 15 anos, Guima transforma suas vivências, lutas e experiências em rimas, fortalecendo a cultura hip-hop a partir de um lugar que conhece bem: a periferia. Sua caminhada passa pelas batalhas, pelos encontros e pela construção de uma identidade artística que não se distancia das próprias origens. Foi nesse percurso que “Faraó” ganhou força e se tornou uma referência nas batalhas, levando seu nome para diferentes espaços da cena.
Agora, o brabo apresenta “Cria Nunca Morre”, seu EP autoral, que amplia essa narrativa e coloca no centro da discussão a vida de quem cresce e constrói sua história nas comunidades. O projeto celebra a identidade periférica e questiona os estigmas frequentemente associados à favela, lembrando que por trás dos rótulos existem pessoas, histórias, afetos, sonhos e legados que merecem ser reconhecidos.
A proposta do trabalho também passa pela ancestralidade e pela memória coletiva. Ao afirmar que a cria nunca morre, Guima aponta para tudo aquilo que permanece mesmo diante das dificuldades: os ensinamentos recebidos, as referências que vieram antes, os vínculos construídos no território e as histórias que continuam sendo contadas pelas próximas gerações.
A trajetória do artista ajuda a compreender a dimensão dessa mensagem. Ser cria de periferia, rapper negro e pai solo atravessa sua maneira de enxergar o mundo e de construir sua arte. Não se trata apenas de falar sobre a realidade das comunidades, mas de reivindicar o direito de contar essas histórias a partir de quem as vive, sem precisar recorrer aos enquadramentos que a sociedade costuma impor.
Com “Cria Nunca Morre”, Guima do Zilah reafirma seu compromisso com uma cultura hip-hop que também é memória, resistência e pertencimento. Das batalhas de rima aos lançamentos autorais, sua caminhada segue conectada às raízes que o trouxeram até aqui, mostrando que a arte também é uma forma de manter viva a história de um povo.
Acompanhe Guima do Zilah nas redes sociais e fortaleça o trabalho de quem faz da própria vivência uma ferramenta de expressão. Afinal, a favela vive, a arte resiste e nossa história não se apaga.






